quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Marolagem

Alagados, Trenchtown geral, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê


(Com todo o respeito, senhor Paralama.)

Entra ano, sai ano, e o barro volta pra dentro de casa. Na verdade, diz-se à boca miúda que estranho mesmo é ver São Paulo seca, e que o IPVA paulistano vai dar lugar ao IPBR (Imposto sobre Barco do Resgate). Perde-se até mesmo o interesse por ver a cidade da garoa virar cidade-lago, e cabe aos repórteres de plantão encontrar as mais escabrosas tragédias para manter o espectador grudado na telinha. Nem mesmo assim a tromba d'água paulistana garante o pão jornalístico: o que anos atrás seria digno do arrepiante Plantão da Globo, com sua musiquinha de dar nos nervos e que tinha o mórbido poder de silenciar e reunir todos ao seu redor, agora é matéria básica de Jornal Nacional, o arroz-com-feijão de sempre, apenas a "desgraça da vez".
Embora muito interessante por alguns minutos, logo cai no esquecimento diante de notícias mais interessantes, como o Ronaldinho aqui, o Lula lá. Quem ainda encara o "drama paulistano" como drama são apenas os pobres coitados que passam seu primeiro mês do novo ano tirando lama do quarto. E agora até a coisa se "interestaduou-se", nunca se viu tanta desgraça parecida em tantos estados do país. Para não cair no clichê, é preciso mais exercício, como ir até Rondônia falar de saúde. Vida dura de repórter, não se pode cair no comodismo, todo mundo já está falando da água no quintal. Mas é tudo, como dizia sempre nosso querido presidente, "uma marolinha", com o perdão do trocadilho.
Difícil agora é encontrar culpados o suficiente para se responsabilizarem por essa marola. Afinal, a solução já tem data marcada, é fácil e garantido: investe-se dinheiro na desgraça e enche-se bem os bolsos. Ou você acha que a grana vai chegar inteirinha nas obras para ajudar as vítimas? Ou melhor, você acha que a grana vai chegar?

Brasil, um país de todos.


se fodew aí, nerdão

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